Desconectar para conectar?

20 jun

Já presenciei a aflição de muitas pessoas quando acaba a bateria do iPhone, inclusive a minha.

Semanas atrás. Esqueci meu iPhone no taxi. Quando me dei conta, minutos depois, tive uma sensação de pré enfarte. Sério, foi bizarro. Desde esse dia, a tal crise de abstinência, que durou apenas meia hora (consegui localizar o taxista e resgatar meu filho), ficou na minha cabeça. Nunca gostei de depender de alguém pra nada, então porque depender tanto de algo?

Pensando nisso, resolvi iniciar uma série de experimentos. Sempre comigo.

Que fique bem claro antes de começar: eu amo meu iPhone, acho incrível a facilidade que ele trouxe para minha vida e não troco ele por nenhum outro. Porém acho que ele deveria vir com um tag, adesivo, sei lá, algo dizendo: “aprecie com moderação”.

Ah, outra coisa, escrevo iPhone e não celular, não por um ato exibicionista ou geek, e sim porque desligar o celular é completamente diferente de desligar o iPhone (o mesmo vale para o Blackberry).

Experimento Número 1:

#45horasoffline

Hora de desconexão: sexta, 19h.

(tenho dúvidas se até esse dia eu já havia desligado alguma vez o meu iPhone, louco hein?).

- Primeiro momento de aflição: chegar em um lugar diferente, fora de SP e resistir ao check in no foursquare. Será que tem algum special pra desbloquear por aqui? Será que eu ganharia algum badge? Enfim, achei melhor desapegar pois estava apenas começando.

- Segundo momento de aflição: sentada vejo uma cena ótima, sabe aquela que ficaria incrível com o filtro “earlybird” do instagram? Automaticamente a mente já joga uma legenda e… E nada, não dá pra postar, vai ter que ficar no click mental mesmo. (se você não entendeu, já escrevi sobre o instagram aqui: http://migre.me/55ziQ)

- Terceiro momento de aflição: porra, que horas são? Não é só estar off o problema não, alguém me explica como é que eu vou saber que horas são sem meu iPhone? Melhor desapegar do horário também, afinal nunca fui escoteira e não sei ver as horas olhando pro céu.

- Quarto momento de aflição: a aflição dos TT (trending topics). Será que de um dia pro outro aconteceu algo digno de plantão da Globo? Sabe como é, hoje o twitter é mais rápido que a musiquinha do plantão… Não é minha culpa.

Meu último momento de aflição aconteceu sábado logo depois do café da manhã. E vamos combinar? Nada que ler o jornal do dia não resolvesse.

Último? Pois é. Dizem que o que não tem remédio, remediado está. Remédio tinha, era só ligar e pronto. Mas o lance foi que eu não tive vontade. Estava bom daquele jeito. Estava calmo.

#constatações

[#1] Não ser bombardeada por informações o tempo todo, te leva a refletir sobre outras coisas, a falar sobre outras coisas, a conversar sobre algo que você não tem o hábito de falar, a lembrar e contar histórias sobre você, a ouvir histórias dos outros com atenção, sem ficar fugindo toda hora pro mundo autista do iPhone… E principalmente, observar detalhes ao redor que não vemos quando a cabeça está baixa, olhando pra tela touch.

[#2] Minha ansiedade baixou uns 92%. Estar ligada o tempo todo é tipo um combustível para pessoas ansiosas.

[#3] Para uma pessoa “na minha” como eu, o iPhone acaba virando o refúgio perfeito. Como se fosse um potencializador da exclusão sabe? Se estou no mundo do iPhone, não preciso me expor. A barreira está feita através de um simples gesto, pegar o iPhone (péssimo isso aliás).

Senti mais falta: instagram em primeiro lugar disparado, facebook em segundo (bem longe viu?).

Deu pra sobreviver sem: Google, What´s up (aplicativo de troca de mensagens entre iPhones e Blackberryes), twitter e emails.

Não senti falta: Mensagens de texto, fazer e receber ligações (celular ainda serve pra isso?).

Resumindo, recomendo.

#ficadica

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Uma resposta para “Desconectar para conectar?”

  1. Melanie 20/06/2011 às 23:07 #

    show de bola, mi! Tenho que confessar que mesmo sob tentações tenho resistido a Iphone e cia. Estamos perdendo a comunicação com o outro, seja ele ser humano ou mundo…é sério! Outro dia estava num barzinho e o povo da mesa ao lado não conversava, tavam no face..achei megabizzaro.

    To com vc e recomendo a experiência!

    bjo gde, Mel

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